Friday, January 21, 2005
Conversar com as amigas sempre ajuda. Estou realmente magra – isso começou a me assustar um pouco – mas não consigo achar que estou ficando feia. Às vezes, me assusto, de súbito, com a magreza. Mas o susto passa rápido. Meu corpo continua meu e não me é um estranho. Livro para ler sem ser para estudo: “As Horas”. Gostei um tanto do filme. Agora o livro me embala. Sinto uma certa saudade dos meus sonhos de arquiteta. Minha prancheta está tão abandonada que esses bichinhos chatos que comem madeira estão acabando com ela. Não sei se são cupins. Cupins comem papel? Porque esses bichos que estão a comer minha prancheta, eles comem papel. E fazem furos nos livros. Como túneis: entram por uma capa, atravessam as páginas em linha reta, saem do outro lado. São nojentos, mas me lembram que os livros são feitos de árvores (da mesma matéria da prancheta: madeira). Lembram-me da poesia ordinária de todo dia. Aquela que se esconde na existência utilitária dos objetos. Prova que coisas nojentas também são úteis. Nem sempre, mas às vezes.
Wednesday, January 05, 2005
Caquinhos de hoje
Tem aquele ator português da novela das seis que eu acho lindo. Ainda o charme de falar a minha língua com o estranhamento de falá-la como se fosse outra. Estrangeira. Agora tem esse jazz super pop. “Take five”. Brubeck. Queria escrever como se faz música. Já escrevi como se costurasse colcha de retalhos. Estou aprendendo tricot com minha mãe. Quero comprar tecido pra ela fazer um casaco pra mim. Preciso encontrar um emprego (trabalho, estágio). Preciso recolher os caquinhos da minha poesia que eu deixei espalhados por aí. Ou antes, inventar outra. Que talvez já exista e eu só precise descobrir.
Saturday, January 01, 2005
|Wednesday, December 29, 2004
Voyeur
Hoje brinquei muito de espiar... foi gostoso. De manhãzinha eu estava no sexto andar de um prédio, esperando (tinha um compromisso ali) e fiquei olhando, pela janela, o movimento lá embaixo. Sempre que vou a esse lugar, gosto de fazer isso. Vi várias coisas (ordinárias, cotidianas e, por isso mesmo, tocantes), mas duas foram as mais especiais (e eu sei o porquê). A primeira: um homem com uma roupa super formal (terno, gravata etc.) atravessando a rua de mão dada com um menino muito pequeno. O menino de mochilinha nas costas; o pai (imaginei o mais óbvio: que o homem era o pai), com uma pasta (talvez, não me lembro bem). A segunda imagem (a mais linda): um casal de velhinhos, de mãos dadas, andando vagarosamente. Um em harmonia com o ritmo do outro... fiquei pensando, não importa a história da vida dos dois (se eles já brigaram muito, se um já magoou o outro etc. etc. etc.), importa que eles andando daquele jeito, nesse estágio da vida, me parecia o encontro mais perfeito.
Meu segundo ato de voyeur foi virtual: no orkut. Tava espiando uma comunidade só para meninas que gostam de meninas. Aí tinha uma brincadeira que era assim: a que entrasse deixava um beijo na bochecha ou um selinho ou um beijo de língua (tão cafona essa designação: "beijo de língua"... mas por falta de idéia melhor, vou usar isso mesmo) pra garota que entrou anteriormente. Achei divertido e doce os comentários de uma pra outra... coisa de menina.
Tuesday, December 28, 2004
Hoje
Parte das coisas já encontraram seus lugares. Ainda falta, mas já veio uma sensação boa. O céu daqui insiste em ter as cores lindas. A paisagem não me é inútil. A tia insiste, toda vez que vem de férias, falar dos mesmos assuntos. Implicar com as mesmas coisas. Mas hoje, se tivesse muitas palavras na mão, falaria de alegria vinda do coração. Alegria que não depende das coisas do lado de fora, de acontecimentos. Alegria.
Monday, December 27, 2004
Coisas velhas, coisas novas
Muito a fazer, a primeira das coisas deveria ser arrumar os livros que se espalham por muitos cantos da casa. Mas, antes ainda, ficar quieta um pouco, organizar os pensamentos, ler um trecho de Buda ou de Cristo (ou ler os dois), respirar profundamente... ficar em silêncio por dentro. Depois (ou talvez antes) é preciso alongar o corpo. Aí sim, posso ir aos livros. É preciso encapar os novos... todos presentes especiais, vindos de pessoas especiais. As gavetas de roupas já estão arrumadas. Depois arrumar meus arquivos no computador. Deletar o que não presta. É preciso ainda uma grande faxina nessa nossa sala de estudar e costurar (eu e meus irmãos aqui estudamos e trabalhamos, minha mãe costura). Com as coisas em ordem, posso escrever a carta ao meu amigo que está em França. Já a escrevi mentalmente mil vezes. Quero pô-la no papel (bem bonito, com caneta bem bonita) num momento em que sentir as coisas dentro e fora de mim mais agradáveis. Porque quero estar suave para meu amigo. Pessoa tão delicada. Que valoriza cada milímetro da minha maneira de ser. Os amigos verdadeiros nos reconhecem sem muito barulho. Com delicadeza.
Não me dedico a escrita há meses... em agosto ainda escrevi dois contos. Não tão bons. Mas meus. Depois escrevi meu projeto pro mestrado. No resto do semestre, estava envolvida com as leituras para a prova de Teoria... depois os ensaios para a prova. Depois a prova. Depois o resultado final, eu passei e então... fiquei um pouco paralisada. Agora preciso colocar as coisas em ordem (o processo descrito acima), então voltar à casa da escrita.
Como pude ficar esse tempo todo longe dela?
Conheço uma pessoa que parece não mudar nunca. Sinto muito por ela. Não ser capaz de reinventar-se é mesmo muita pobreza. Como gosto dessa pessoa (de conversar com ela), acabo sempre tendo uma esperança de que algo bom possa ser possível... mas toda vez que me re-aproximo, é sempre a mesma decepção. Tem sido assim há 10 anos.
Antes do ano acabar, é preciso fazer uma lista das coisas boas que aconteceram. Foram muitas e profundas. Escrevê-las é uma maneira de agradecer. Também é preciso fazer a lista do que quero para o próximo ano. É bom saber bem o que se quer. É preciso.
Hoje fez (faz) muito calor. Minha garganta dói. Comi bombons.
Não me dedico a escrita há meses... em agosto ainda escrevi dois contos. Não tão bons. Mas meus. Depois escrevi meu projeto pro mestrado. No resto do semestre, estava envolvida com as leituras para a prova de Teoria... depois os ensaios para a prova. Depois a prova. Depois o resultado final, eu passei e então... fiquei um pouco paralisada. Agora preciso colocar as coisas em ordem (o processo descrito acima), então voltar à casa da escrita.
Como pude ficar esse tempo todo longe dela?
Conheço uma pessoa que parece não mudar nunca. Sinto muito por ela. Não ser capaz de reinventar-se é mesmo muita pobreza. Como gosto dessa pessoa (de conversar com ela), acabo sempre tendo uma esperança de que algo bom possa ser possível... mas toda vez que me re-aproximo, é sempre a mesma decepção. Tem sido assim há 10 anos.
Antes do ano acabar, é preciso fazer uma lista das coisas boas que aconteceram. Foram muitas e profundas. Escrevê-las é uma maneira de agradecer. Também é preciso fazer a lista do que quero para o próximo ano. É bom saber bem o que se quer. É preciso.
Hoje fez (faz) muito calor. Minha garganta dói. Comi bombons.